Sábado, Abril 01, 2006
Quinta-feira, Março 30, 2006
Novo tempo
O mundo girou em volta do sol e trouxe o outono. Agora as madrugadas são bem mais gostosas, os dias nascem com cara de possibilidades e as janelas abertas me sopram mudanças. Mudança de casa, de cidade, de colegas de trabalho.
E eu, sempre caminhando....sem medo, mas com o frio das ruas na barriga...
Quero dar o melhor. Corresponder, fazer valer a pena. Conquista. Essa palavra nunca soou tão forte.
Meus italianos lindos, sempre ao meu lado. Minha fé em Deus, sempre à minha frente. Meus sonhos de menina, guardados, querendo fazer rebuliço de novo. Eu, gata escaldada, dou duas voltas na chave do baú, e finco os dois pés no chão. Tropeço aqui, alí...Mas estou andando. Isso que importa. Ou não?
Sinto falta de minhas meninas. Mas elas vão entender, um dia, a distância.
Tomei leite estragado. E o estômago não gostou da piada. Juízo que é bom, cadê? Vou levando. Consegui finalmente baixar o Kaaza, e agora vou poder ouvir as músicas que gosto e não as porcarias que tocam nas rádios.
Toquei violão, depois de três meses de silêncio. Voltei aos meus contos, aproveitando as primeiras noites de outono, com chocolate quente com canela...huuuuummm.
Agradeço a Deus por esse lar. Por Santa Catarina e tudo que tem me proporcionado. Pelos amigos que fiz aqui e por tudo que cavei para mim nesse tempo. Que Ele me guie na nova estrada. Que o outono me prepare para os dias mais frios, sem me tirar a alegria que herdei do sol.
E eu, sempre caminhando....sem medo, mas com o frio das ruas na barriga...
Quero dar o melhor. Corresponder, fazer valer a pena. Conquista. Essa palavra nunca soou tão forte.
Meus italianos lindos, sempre ao meu lado. Minha fé em Deus, sempre à minha frente. Meus sonhos de menina, guardados, querendo fazer rebuliço de novo. Eu, gata escaldada, dou duas voltas na chave do baú, e finco os dois pés no chão. Tropeço aqui, alí...Mas estou andando. Isso que importa. Ou não?
Sinto falta de minhas meninas. Mas elas vão entender, um dia, a distância.
Tomei leite estragado. E o estômago não gostou da piada. Juízo que é bom, cadê? Vou levando. Consegui finalmente baixar o Kaaza, e agora vou poder ouvir as músicas que gosto e não as porcarias que tocam nas rádios.
Toquei violão, depois de três meses de silêncio. Voltei aos meus contos, aproveitando as primeiras noites de outono, com chocolate quente com canela...huuuuummm.
Agradeço a Deus por esse lar. Por Santa Catarina e tudo que tem me proporcionado. Pelos amigos que fiz aqui e por tudo que cavei para mim nesse tempo. Que Ele me guie na nova estrada. Que o outono me prepare para os dias mais frios, sem me tirar a alegria que herdei do sol.
Segunda-feira, Março 20, 2006
Anjo
Agora, quando sinto tudo. Você, meu porãozinho, meu refúgio. E, aqui, nesse momento...meu amor de fronteira atravessa todos os mundos, quebra todos os quebrantos. Eu invado terras estranhas, aprendo novas línguas....Eu sou apaixonada por seu mistério. E, dizem, que alguém como eu...só pode amar assim. Então...Fico quietinha. Aqui...bem satisfeitinha...nessa querência boa, calada, e muito profunda. Deixo que se apiedem de mim. Fico sorrindo em silêncio. Eterna. Pra nós, por nós.
19 de março
E fez um ano de minha novena. Todos os anos eu tive motivos de ir à procissão. E, olha, eu seguia aquele ritual com tanta fé...mas com tanta fé, que ninguém acredita...e ao mesmo tempo...quem duvida? Fiz primeiro as promessas de menina. Pedi pelo namorado, que se mostrou bobo demais. Depois pelo milagre da faculdade - que me trouxe ao presente (presente de promessas). Depois, busquei a saúde de painho - e consegui. Ele se foi, um ano depois...de surpresa. E ela, sempre ela...a me empurrar pelas estradas no dia 19. Estudei em mais de mil colégios "São José". Nasci na cidade onde o carnaval impera no bairro "São José". Tive os melhores dias de minha vida em São Jose´da Coroa Grande. E perdi meu irmão um mês depois do dia 19 de março. Ela, sempre disse: "19 de março é sagrado".
Era dia de aniversário de Ângela Telles - e isso fazia mais sagrado ainda. Porque os amigos eram santos, todos, para ela.
Em 2004 eu fui em busca de mais um milagre. Vesti a melhor roupa, de pés descalços, com o retrato dela ao peito...fui agradecer mais um ano de vida...por ela. "Vou pagar sua promessa, mainha". E assim fiz.
No ano passado, ela quis fazer. "Quero ir, vou pagar a promessa. Deixe, minha filha". Eu deixei. Naquele carro, no banco da frente, segurando a porta - como quem segura o mundo...ela foi fiel a Deus.
Dez dias depois, entrou em coma.
E, eu...vi a vida sumir.
Hoje Kekéia me ligou insistentemente. Eu sabia o que sentia. Ao chegar em casa disse: "Eu sei...é 19 de março...eu lembrei".
Buscamos relembrar. Mas, juntas, não conseguimos. Porque ela veio mais forte. E nos fez vez que a promessa valeu a pena. Deus a levou para um lugar maior. Eu consegui dar conta de meu trabalho. Kekeía pôde passar as tarefas pra Giovanna. Numa delas, era necessário dizer quem era São José. Lá, com certeza, estava escrito: "O santo que salvou os sonhos de seus avós".
Eu agradeço pelos santos. Agradeço. Porque a fé me mantém viva. Estou a um passo da felicidade plena. Porque confio infinitamente nos desígnios de Deus. Graças a magnífica força de um anjo que veio à Terra. E que Deus - na sua bondade infinita - me deu como a excepcional mulher que me doou a carne, os dias, a história, o sangue, os sonhos, os poréns, as renúncias, os medos, os porquês, a coragem, as alegrias, a segurança, as mãos...a MÃE: Maria Helena.
Era dia de aniversário de Ângela Telles - e isso fazia mais sagrado ainda. Porque os amigos eram santos, todos, para ela.
Em 2004 eu fui em busca de mais um milagre. Vesti a melhor roupa, de pés descalços, com o retrato dela ao peito...fui agradecer mais um ano de vida...por ela. "Vou pagar sua promessa, mainha". E assim fiz.
No ano passado, ela quis fazer. "Quero ir, vou pagar a promessa. Deixe, minha filha". Eu deixei. Naquele carro, no banco da frente, segurando a porta - como quem segura o mundo...ela foi fiel a Deus.
Dez dias depois, entrou em coma.
E, eu...vi a vida sumir.
Hoje Kekéia me ligou insistentemente. Eu sabia o que sentia. Ao chegar em casa disse: "Eu sei...é 19 de março...eu lembrei".
Buscamos relembrar. Mas, juntas, não conseguimos. Porque ela veio mais forte. E nos fez vez que a promessa valeu a pena. Deus a levou para um lugar maior. Eu consegui dar conta de meu trabalho. Kekeía pôde passar as tarefas pra Giovanna. Numa delas, era necessário dizer quem era São José. Lá, com certeza, estava escrito: "O santo que salvou os sonhos de seus avós".
Eu agradeço pelos santos. Agradeço. Porque a fé me mantém viva. Estou a um passo da felicidade plena. Porque confio infinitamente nos desígnios de Deus. Graças a magnífica força de um anjo que veio à Terra. E que Deus - na sua bondade infinita - me deu como a excepcional mulher que me doou a carne, os dias, a história, o sangue, os sonhos, os poréns, as renúncias, os medos, os porquês, a coragem, as alegrias, a segurança, as mãos...a MÃE: Maria Helena.
Música que lembra irmã e faz feliz
"Não é caro o que eu queria
uma pausa pra pensar
colocar o corpo e a cabeça em dia
pra melhor recomeçar
O outono na fazenda
toda tarde cochilar
com o cheiro luxuosode um fogão de lenha
perfumando todo o ar
Meu cavalo pelo vale
vento no canavial
sol na pele
avermelhando a nossa cara-pálida
da cidade...
eu, você e só
todo mês de maio na maior..."
(Guilherme Arantes)...
Beijo, Kekéia.
uma pausa pra pensar
colocar o corpo e a cabeça em dia
pra melhor recomeçar
O outono na fazenda
toda tarde cochilar
com o cheiro luxuosode um fogão de lenha
perfumando todo o ar
Meu cavalo pelo vale
vento no canavial
sol na pele
avermelhando a nossa cara-pálida
da cidade...
eu, você e só
todo mês de maio na maior..."
(Guilherme Arantes)...
Beijo, Kekéia.
Sábado, Março 18, 2006
Duas Marias ao telefone
Quando a primeira nasceu eu estava no supermercado. Entre laranjas e carrinho de suprimentos. O telefone tocou e eu soube que o mundo não era mais o mesmo. Ela chegou: Maria Cecília. A minha segunda pérola. Pedaço da completude minha. Larguei laranjas, carrinho e fui em busca do que iria suprir minha vida de tudo: o amor. Cheguei ao hospital e descobri que teria que lutar - mais uma vez, Germana Telles, nada seria fácil. Lutar pela vida daquele serzinho frágil, ali, cheio de furos na pele. Aquela pele novinha em folha, aquele sangue meu, tão frágil e meu, sendo desperdiçado pela negligência médica. Foram oito, ao todo. E prometi guardar o número pra contar mais tarde e lhe dizer, quando a vida lhe mostrasse a mocidade, que nada na vida é fácil. O nosso sangue não era compatível com o de seu pai. Talvez precisasse transfusão. E eu seria capaz de derramar todo o meu para salvá-la. Mas não foi preciso. Busquei a "influência", e consegui. Os médicos quando souberam de "minhas amizades" correram para salvá-la. E conseguiram.
Prometi a mainha: "Prepare o berço, que só volto pra casa com ela". Vi naqueles olhos de sertaneja, pela primeira vez, o medo. E apertei a mão calejada: "Eu juro".
Voltei no fim da tarde com ela nos braços. A mãe só queria dormir. E eu, chorar. Fui atrás de Jarliana, que meu deu todos os copos e colos do mundo. Brindei o nascimento e a primeira vitória. Giovanna, meu primeiro amor, dormia sossegada, festejando o nascimento da prima.
Um ano depois, veio a outra Maria...a Clara. E essa, já nasceu brigando contra os negligentes. Sobreviveu aos descasos e disse: "Duvido que me derrubem", desde o primeiro instante.
Amei aquela menininha, como quem ama o próprio segredo de existir. E quis proteger sua inocência de achar que podia tudo.
Hoje, depois de quatro anos, elas estão lindas, como sempre. E já falam comigo ao telefone. A titia-cangurú chora quando escuta as vozes, tão longe....................E elas, se divertem com os beijos estalados ao telefone. "Uú!!! Tu vai trazer presente?" ...Sim...Uú vai. Uú está sempre presente. E morreria se não estivesse. Se não tivesse esse amor, minhas Marias. Esse corpo é só um porta-retrato. A imagem está no tempo. E a essência...Essa, o tempo guarda na retina desses olhos lindos. Que, graças a Deus, ainda enxergam o mundo com a pureza dos anjos.
Eu amo vcs. E sem essa grandeza, não existo. Não sei. Não sou.
Prometi a mainha: "Prepare o berço, que só volto pra casa com ela". Vi naqueles olhos de sertaneja, pela primeira vez, o medo. E apertei a mão calejada: "Eu juro".
Voltei no fim da tarde com ela nos braços. A mãe só queria dormir. E eu, chorar. Fui atrás de Jarliana, que meu deu todos os copos e colos do mundo. Brindei o nascimento e a primeira vitória. Giovanna, meu primeiro amor, dormia sossegada, festejando o nascimento da prima.
Um ano depois, veio a outra Maria...a Clara. E essa, já nasceu brigando contra os negligentes. Sobreviveu aos descasos e disse: "Duvido que me derrubem", desde o primeiro instante.
Amei aquela menininha, como quem ama o próprio segredo de existir. E quis proteger sua inocência de achar que podia tudo.
Hoje, depois de quatro anos, elas estão lindas, como sempre. E já falam comigo ao telefone. A titia-cangurú chora quando escuta as vozes, tão longe....................E elas, se divertem com os beijos estalados ao telefone. "Uú!!! Tu vai trazer presente?" ...Sim...Uú vai. Uú está sempre presente. E morreria se não estivesse. Se não tivesse esse amor, minhas Marias. Esse corpo é só um porta-retrato. A imagem está no tempo. E a essência...Essa, o tempo guarda na retina desses olhos lindos. Que, graças a Deus, ainda enxergam o mundo com a pureza dos anjos.
Eu amo vcs. E sem essa grandeza, não existo. Não sei. Não sou.

